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O estresse é um estado agravado ou gerado pela percepção de estímulos que provocam alterações emocionais e físicas, e que, ao perturbarem a homeostasia, levam o organismo a disparar um processo de adaptação caracterizado pelo aumento da secreção de hormônios como adrenalina, com várias consequências sistêmicas.

Na medicina , há patologias que são desencadeadas ou agravadas pelo estresse. As mais conhecidas são as patologias psiquiátricas tais como depressão, ansiedade, além de alterações ou perturbações do sono como a insônia. Também são reconhecidos os resultados da agressão do estresse crônico sobre o sistema cardiovascular, podendo, em última fase, evoluir para AVC ou infarto do miocárdio.

Mas o estresse também causa distúrbios oculares? A resposta é sim. O fato é que este mal pode causar alterações na permeabilidade de pequenos vasos que irrigam a retina, em uma camada conhecida como coriocapilar. O “extravazamento” de líquido desses vasos para a região abaixo da retina pode levar a um tipo de descolamento de retina, e consequentemente, à perda visual. Essa doença chamamos de coriorretinopatia serosa central.

O QUE É CORIORRETINOPATIA SEROSA CENTRAL?

A coriorretinopatia serosa central (CRSC) é um distúrbio esporádico da barreira hematorretiniana externa, caracterizado por um descolamento seroso localizado da retina sensorial na mácula. Observamos na imagem abaixo o descolamento localizado da retina.

Setas indicam o descolamento seroso

FATORES DE RISCO PARA CRSC

A patologia acomete principalmente indivíduos jovens do sexo masculino, com personalidade tipo A e associado a episódio de estresse. Outros importantes fatores são: período gestacional, uso crônico de corticoides e síndrome de cushing.

SINTOMAS

Os principais sintomas são:

  •  Alteração visual – entre 20/20 e 20/200
  •  Metamorfopsia: linhas retas são vistas como tortas
  •  Micropsia (redução do tamanho das imagens),
  •  Discromatopsia (alteração da visão de cores)
  •  Escotoma / mancha na  visão central
  •  Redução da sensibilidade ao contraste

TRATAMENTO

A maioria dos casos de CRSC involuem espontaneamente em até 3 meses, ocorrendo a reabsorção do descolamento seroso. Logo o paciente recupera a visão prévia na grande maioria das vezes, não necessitando de nenhum tratamento.

Porém alguns casos devem ser vistos com atenção, já que 5 % dos casos pode evoluir para uma forma mais grave da doença. São os casos de descolamentos mais extensos, múltiplos ou nos casos de recorrência da doença.

Modalidades de tratamento 

Coagulação à Laser da retina e terapia fotodinâmica: aceleram a recuperação. O laser somente pode ser realizado em casos selecionados, pois pode comprometer a mácula, uma região importante para a visão.

Uso de medicação tópica: o uso de determinados colírios como os antiinflamatórios (cetorolaco) e inibidores da anidrase carbônica (dorzolamida) demonstraram reduzir o tempo de recuperação. Porém são estudos pequenos e que ainda carecem de comprovação científica.

Outras medidas: a maioria dos estudos atuais focam no tratamento dos casos de CRSC graves e crônicos, uma vez que a maioria das formas simples não requerem tratamento. São medicações com perspectivas para o tratamento dos casos difíceis: Metotrexato, propranolol, finasterida, injeções intraoculares de anti-VEGF, espironolactona, melatonina.

O oftalmologista geral e com especialidade em retina são os profissionais aptos a diagnosticar e tratar esta patologia.


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